sábado, 20 de fevereiro de 2021

LARGA A PEDRA

Texto: Jo.8-7                                                               

O texto narra um fato ocorrido envolvendo Jesus e uma mulher flagrada no ato doe um adultério. Levaram esta mulher até Jesus, pois estavam ansiosos para ter o consentimento de Jesus para apedrejá-la até a morte. Era de manhã cedo, e uma pequena multidão estava na praia ouvindo os ensinamentos de Jesus Cristo, quando de repente chegou outra multidão, arrastando uma mulher aterrorizada.

A multidão estava sedenta de sangue. Já havia torturado, espancado e rasgado as vestes daquela mulher. Ela foi jogada aos pés de Jesus. As pessoas que estavam com Jesus se uniram aos que trouxeram a mulher, ansiosos também para descarregarem a sua ira e a sua impiedade sobre aquela mulher.

Já reparou que os seres humanos são maus? São péssimos e perversos na hora de julgar quem errou? É nessa hora que muitos demonstram ter prazer e aflição na dor e nas desgraças dos outros.

Duas coisas podemos observar nesta situação: de um lado a multidão que queria se divertir às custas da vida daquela mulher; e de outro, os escribas e fariseus, que queriam colocar Jesus num beco sem saída. Se Jesus tivesse concordado com a execução da mulher, então, o seu ministério de amor seria uma farsa.

Por outro lado, se Jesus determinasse o perdão da mulher, estaria indo contra a Lei de Moisés. O próprio Jesus já havia afirmado que não viera revogar a Lei de Moisés, mas sim cumpri-la. A confusão estava formada. Todos não viam a hora de começar a apedrejarem aquela mulher.

Jesus esperou alguns minutos, até que a multidão armada com as pedras exigia de Jesus uma posição, uma sentença de condenação para aquela mulher. Quando Jesus se pôs em pé, a multidão já apreensiva, fez um silêncio de morte. Jesus se levantou e disse uma coisa que ninguém esperava.  

A resposta de Jesus não poderia ter sido mais dura, e mais penetrante quando disse: "Aquele que não tem pecados, atire a primeira pedra". Em outras palavras, só quem fosse extremamente santo e puro de coração, poderia ser o primeiro a atirar a pedra.

E a Bíblia diz que aos poucos a multidão se dispersou. Todos foram para as suas casas, acusados pela própria consciência, deixando a mulher e Jesus sozinhos. Por que aquela mulher não fugiu?

A grande maioria de nós tem a reação de fugir na primeira oportunidade. Fugimos daquilo que pode nos trazer dor e sofrimento. É uma reação natural. Será que você também nunca pensou em fugir de alguém? De ir para bem longe onde ninguém pudesse lhe achar? Onde ninguém soubesse do teu passado?

Mas por que fugimos? Fugimos para termos um alívio momentâneo e imediato. Mas não é possível fugir sempre. Aliás, existem duas pessoas de quem você nunca poderá fugir e nem se esconder: De Deus e de você mesmo. É por isso que aquela mulher não fugiu.  

Um fato interessante nesta passagem é que Jesus não disse: "quem não é adúltero atire a primeira pedra", isso daria a entender que os que não eram adúlteros poderiam condenar aquela mulher. A exigência de Jesus era uma condição impossível, pois todos eram  pecadores.

E diante desta condição, somos forçados a concluir que o único que poderia atirar as pedras era o próprio Jesus. Tem muita gente nas igrejas atirando pedras sobre aqueles que cometem os pecados que nós não cometemos. Isto é, pensamos que podemos condenar os adúlteros porque não cometemos adultério.

Condenamos os ladrões porque não roubamos; condenamos os estupradores porque não estupramos; os assassinos porque não matamos ninguém; condenamos os sequestradores porque não sequestramos ninguém.  

Em outras palavras, acreditamos que podemos condenar as pessoas que cometem pecados que nós não cometemos. Olhamos para os pecados dos outros e nos julgamos melhores do que os outros. Em alguns casos muitos  chegamos a se julgar santos e imaculados.

Quando nos damos o direito de condenar uma pessoa, ou por qualquer que seja o motivo, estamos simplesmente nos declarando merecedores de uma posição de destaque no Reino de Deus.

A justiça de Deus não é a mesma justiça que os seres humanos utilizam. Mas os arrogantes, os orgulhosos e os hipócritas, acreditam que é possível estarem em situações diferentes porque não cometem os mesmos pecados que cometem aqueles a quem condenamos.

Outro fato importante que chama a nossa atenção é que a própria mulher adúltera não tinha o direito de se condenar. Ela não tinha direito de atirar pedras sobre a própria cabeça. Ela mesma não poderia ser a sua própria acusadora, se achando indigna da graça, do perdão e da misericórdia de Deus.

Se nosso Deus nos tratasse do modo como merecemos ser tratados, onde estaríamos nós? Algum de nós pode olhar para o céu e exigir alguma coisa de Deus se baseando na nossa santidade? Será que tem alguém nesse mundo tão santo assim? Que não tenha um pecado?  

Pecado é tudo aquilo que fere, ofende, magoa e entristece o coração de Deus e o Espírito Santo. Olhe para a tua vida e para a direção que você está indo. Olhe para os teus desejos mais secretos, para os teus pensamentos imorais, para a raiva e o rancor que você tem escondido de todos.

A pergunta é: você pode dizer que não tem pecados para poder condenar quem tem pecados? Lembre-se de que o fato de não ter cometido o mesmo pecado não te autoriza a condenar. O melhor a fazer é largar a pedra, pois nem Jesus condenou.

O que importa é nos arrependermos com sinceridade. Lutarmos todos os dias contra o pecado. Crer na misericórdia, no perdão, na regeneração e no amor de Deus. Você crê assim?  

Então vai, e da maneira que creres assim te sucederá. (Mt.8-13)

Mas larga essa pedra! 

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