sábado, 16 de novembro de 2024

ESTUDO DA HISTÓRIA DA BÍBLIA NT

 

O Novo Testamento é uma coleção de 27 livros da Bíblia que conta a história de Jesus Cristo, os seus ensinamentos e o desenvolvimento das primeiras comunidades cristãs, como também fala dos primeiros esforços missionários da Igreja.  

O Novo Testamento foi escrito em grego. Faz parte da Nova Aliança cumprida em Jesus e a expansão do Evangelho, a profecia do fim dos tempos, e a volta de Jesus. Vale lembrar que entre o Antigo e o Novo Testamento existe um espaço de 400 anos que Deus ficou em silencio. Esse espaço é chamado de período intertestamentário que marca o silencio profético de Malaquias até a pregação de João Batista.

Nessa fase Deus não levantou nenhum profeta e nenhum escrito profético. Esse período foi necessário para que o povo judeu pudesse ver as profecias se cumprindo.

O Novo Testamento está dividido em 4 partes. Os Evangelhos – As Epistolas de Paulo  As Epístolas Gerais e o Livro Profético

Os Evangelhos são: Mateus-Marcos-Lucas-João.

Mateus apresenta Jesus como o Messias Prometido por Deus como cumpridor das profecias do Velho Testamento. Mateus como era judeu, ele escreveu e direcionou o evangelho para os judeus. Por isso a estrutura literária no Livro de Mateus aparece a genealogia de Jesus. Mateus era muito cuidadoso, por isso ele anotava com detalhes todos os acontecimentos da vida pública de Jesus.

Marcos apresenta Jesus como o servo de Deus, que veio a Terra a fim de cumprir as Ordens do Pai. O Livro de Marcos foi escrito para os primeiros cristãos romanos. Marcos não era apóstolo, ele era seguidor de Jesus. Marcos escreveu o evangelho segundo os relatos e testemunhos de Pedro que estava preso em Roma. O evangelho de Marcos apresenta Jesus mais dinâmico que os outros evangelhos.  

Lucas era um gentio convertido que por sua vez apresenta Jesus como o Filho do Homem como forma de mostrar o lado humano de Jesus. Lucas escreveu o evangelho usando o conhecimento e o testemunho de Paulo. O Livro foi escrito para os gentios. Lucas narra a infância e a juventude de Jesus onde é visto claramente como o Salvador divino-humano que veio com a provisão da salvação para todos os descendentes de Adão.

João apresenta o lado divino de Jesus, chamando-o o Filho de Deus. O Livro de João é o mais teológico. Relata muitos fatos do ministério de Jesus na Judéia e em Jerusalém mostrando com mais profundidade o mistério da pessoa de Jesus. João a pedido dos presbíteros da igreja da Ásia Menor (Turquia) escreveu em sua residência em Éfeso, um evangelho mais espiritual com a finalidade de combater uma perigosa heresia que colocava em dúvida os ensinamentos de Jesus. Essa heresia estava se propagando muito rápido por um judeu chamado Cerinto.

O Livro Histórico – Atos dos Apóstolos. O Livro de Atos não termina com Amém. A ausência do Amém é porque a história do Livro de Atos ainda não terminou de ser escrita. A obra de evangelizar os 4 cantos da Terra ainda continua.

As Epístolas de Paulo: Romanos - I/II Coríntios-Gálatas-Efésios- Filipenses-Colossenses-I/II Tessalonicenses - I/II Timóteo -Tito - Filemon

As Epístolas Gerais – Hebreus – Tiago - I/II Pedro - I/II João e Judas

O Livro Profético - Apocalipse 

Nota importante: Algumas cartas de Paulo foram perdidas como é citado em I Co.15-9 a Carta Pré Canônica. Outra Carta perdida foi a Carta Dolorosa citada em II Co.2-4. Acredita-se que essas cartas foram perdidas devido ao crescimento das igrejas que passaram a serem muito solicitadas acabaram se perdendo em alguma viagem.

A última carta que Paulo escreveu foi II Timóteo. Segundo os teólogos a Epístola aos Romanos é considerada a melhor carta de Paulo. É a carta mais completa que fala da “justificação pela fé” em Cristo Jesus.

Você sabe como surgiu o nome Novo Testamento? Esse termo grego se refere as palavras de Jesus na última Ceia com seus discípulos que se encontra em Mt.26-28 “Porque isto é o meu sangue do Novo Testamento, que é derramado por muitos, para remissão dos pecados”. Foi Justino Mártir que apresentou esse termo para separar o Antigo Testamento do Novo Testamento.

Foi somente em 367 que o bispo e teólogo Atanásio de Alexandria reconheceu todos os livros que compõe o Novo Testamento incluindo as pequenas cartas de Judas, João e Tiago.

HISTÓRIA E ORIGEM DA SEPTUAGINTA

Aproximadamente 250 a.C foi reunido na ilha de Faros perto de Alexandria um grupo de 72 anciãos com o objetivo de traduzir a Bíblia dos judeus para o grego KOINÉ. Esse grupo realizou toda a tradução em 72 dias. Após esse período o texto em grego foi lido perante o povo que recebeu com grande aprovação. Septuaginta significa setenta abreviado por LXX.

A grande verdade é que esse acontecimento foi considerado por muitos como uma lenda por se constatar que alguns textos foram mal traduzidos e isso acabou pondo em dúvidas a fidelidade da tradução. Daí surgiu dois termos: uma versão considerada lendária e a outra como histórica.

A Vulgata foi a primeira versão da bíblia do Antigo Testamento que foi traduzido diretamente do hebraico sem utilizar a Septuaginta. Essa bíblia traduzida por São Jeronimo foi a bíblia que Gutenberg imprimiu em 1456.

Para que isso acontecesse, Jeronimo precisou ir para a Palestina onde viveu 20 estudando hebraico com os melhores rabinos. Jeronimo examinou cuidadosamente todos os manuscritos que conseguiu localizar para realizar uma tradução mais fiel possível. Essa tradução ficou conhecida como Vulgata, ou seja, foi escrita na língua de pessoas comuns (vulgus).

NOTA IMPORTANTE

Aprendemos que a seleção dos Livros da Bíblia, aconteceram ao longo dos séculos. Na verdade, esses longos anos, foram apenas 56 anos passando por 4 Concílios. Todos esses Concílios pertenciam a igreja romana. O primeiro Concílio foi o de Laodicéia em 363 d.C. Apesar desse Concílio não ser definitivo deixaram de fora os livros de I Pedro – Tiago - Carta aos Hebreus e o Apocalipse, por serem livros muito judaicos.

Já no Concílio de Hipona em 393 d.C e no Concílio de Cártago em 397 d.C e o de 419 d.C, foram definidos os livros que conhecemos hoje. Foi no segundo Concílio de Cártago que o Cânon foi estabelecido. Deixaram de fora o Apocalipse de Pedro/ O Evangelho dos Hebreus/O Evangelho de Tomé e o livro Pastoral de Hermas.

Apesar desses livros serem rejeitados, eles ainda chegaram a circular nos primeiros séculos da Era Cristã. O Concílio de Cártago achou por bem rejeitarem esses livros por acharem conter doutrinas e ensinos sobre a santificação e guardar todos os mandamentos conforme ensinava as Leis Mosaicas.

Esses livros foram considerados livros blasfemos. Eles consideravam que esses livros davam ênfase a praticarem fielmente os ensinamentos judaicos. No segundo Concílio de Cártago, acharam que essas práticas judaicas não fortaleciam a igreja romana pois criaria problemas de direcionamento, já que a igreja romana pretendia ensinar conforme as suas doutrinas.

Quando Constantino proclamou o cristianismo como única religião oficial do Império Romano no final do século 4, surgiu uma procura muito grande das cópias do Novo Testamento. É possível que Eusébio de Cesaréia tenha conseguido mostrar ao imperador que os livros usados pelos cristãos já estavam muito danificados. A partir daí uma série de novas crenças “pagãs,” entraram na igreja como a devoção de Maria a Mãe de Deus.

Constantino chegou a encomendar 50 livros para as igrejas de Constantinopla, antiga capital do Império Romano. Naquela época Constantinopla era o principal centro eclesiástico da Igreja Ortodoxa do mundo. A Igreja Ortodoxa tendo uma grande devoção à Virgem Maria, a consagrou como a Mãe de Deus.

A igreja ortodoxa caminhou junto com a igreja romana até 1054. Foi então que na chamada GRANDE CISMA, as igrejas se separaram. A igreja Ortodoxa passou a não reconhecer mais o Papa como Autoridade e a negar a Infalibilidade papal. Eles continuam a acreditar em Deus Pai, Deus Filho e no Espírito Santo, e que Jesus é o Messias esperado.

Ao mesmo tempo eles também acreditam em São Basílio o Grande, São Gregório de Nissa, São Cirilo de Jerusalém e São João Crisóstomo. A bíblia Ortodoxa contém 78 livros. Eles continuam usando a versão grega do Antigo Testamento conhecida como a Septuaginta.

A Igreja Católica considera que nem todas as revelações da Palavra de Deus estão registradas na bíblia. Os teólogos da Igreja Católica acham que para se ter conhecimento total da bíblia é preciso crer tanto na revelação escrita como na revelação oral. Consideram que a revelação oral chamada de Tradição, tem o mesmo peso e grau de verdade que a revelação escrita.

A exemplo disso é que pela fé, a Igreja Católica crê que Maria foi assuntada. Isso  significa que Maria foi levada ao céu com corpo e alma sem passar pela morte apesar de não ter nenhum registro bíblico. A igreja Romana, Ortodoxa e parte das igrejas Anglicanas aderiram esse dogma defendido pelo Papa Pio XII em 1950.    

 

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